⁴ mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, ⁵ para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Gálatas 4:4,5
Por Paulo Vieira - São Paulo, SP
06/09/2024 13h26
O que é um chamado?
Um chamado de Deus é quando uma pessoa sente que Deus a convoca para um propósito específico em sua vida. Esse chamado pode se manifestar de duas formas: individual ou coletivo.
O chamado coletivo se refere a Deus convocando um grupo ou comunidade para cumprir um propósito em conjunto, impactando gerações, sociedades ou a igreja como um todo.
O chamado individual é pessoal e direcionado a alguém para cumprir uma missão específica ou exercer dons particulares, influenciando pessoas e circunstâncias de maneira única.
Em ambos os casos, o chamado envolve viver segundo o propósito que Deus tem, seja no dia a dia ou em uma missão especial de serviço e fé.
Exemplos bíblicos de chamados coletivos
Povo de Israel → Chamados para servir a Deus e ser luz entre as nações (Salmos 100:3).
A igreja primitiva → Chamada para pregar o evangelho e fazer discípulos, atuando juntos para impactar comunidades inteiras (Atos 1:8).
Exemplos bíblicos de chamados individuais
Abrãao → Deus o chamou para sair de sua terra e ir a um lugar que Ele lhe mostraria, confiando plenamente na direção divina (Gênesis 12:1-4)
Noé → Deus o chamou para construir uma arca e preservar a vida diante do dilúvio, cumprindo uma missão única e essencial (Gênesis 6:13-22).
Ponto importante: Apesar de todos nós termos um único Deus e estarmos inseridos dentro de um mesmo povo, com propósito e objetivo comuns, Deus age de maneiras diferentes em nossas vidas, chamando cada um para cumprir a sua vontade de forma única..
Como saber qual é o meu chamado?
Observe seus dons naturais - Habilidades que você já tem e desenvolve com facilidade, como ensinar, aconselhar, cantar, liderar, organizar ou servir.
Identifique suas paixões e interesses - O que faz seu coração “arder” ou ficar animado?
Muitas vezes Deus usa aquilo que você ama e se importa profundamente como pista do seu chamado
E qual foi o chamado de Maria ?
O chamado de Maria é um dos exemplos mais claros de um chamado individual na Bíblia. Deus a escolheu para uma missão única e especial: ser a mãe de Jesus, o Salvador.
Ponto Importante
Apesar de Maria ter sido chamada de graciada, bendita entre as mulheres e de ter achado graça aos olhos de Deus, isso não significa que ela foi digna de adoração. O destaque dado a Maria nas Escrituras aponta para a graça e o favor de Deus sobre a vida dela, e não para uma condição de divindade
Ela mesma reconheceu sua necessidade de salvação ao declarar: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lucas 1:46-47). Assim, Maria foi um instrumento escolhido por Deus, mas não alguém a ser adorado, pois toda glória e adoração pertencem somente a Ele.
Quem é Maria?
Maria é a moça judia escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus Cristo. Ela também é conhecida como Maria de Nazaré e aparece no relato bíblico como uma jovem virgem que estava prometida em casamento a um homem chamado José (Mt 1.18). Assim como José, é amplamente aceito que Maria era da linhagem de Davi. Mesmo que a Bíblia não dê muitos detalhes da vida dessa moça, sabemos que ela foi uma jovem corajosa, fiel e temente a Deus que teve papel importante no nascimento, crescimento e desenvolvimento do nosso Salvador.
A visita inesperada
Maria morava em Nazaré, na região da Galileia.
Ela estava noiva e, provavelmente, organizando algumas coisas de seu casamento e da nova etapa que começaria na sua vida. De acordo com o costume da época, o noivado teria ocorrido quando ela tinha entre 12 a 16 anos. Uma história comum de uma jovem virgem judia, até o dia que Deus decidiu enviar um anjo chamado Gabriel ao pequeno povoado de Nazaré com uma grande notícia (Lc 1.26-27).
A mensagem inacreditável
De forma bem direta, o anjo Gabriel anunciou que Maria ficaria grávida, daria à luz a um filho e deveria colocar seu nome de Jesus. Ele deixou claro que o menino seria o Filho do Altíssimo, a raiz de Davi que reinaria para sempre. Em um estado de perplexidade e temor, Maria tentou entender de que maneira aquilo se daria, já que ela ainda era uma virgem apenas prometida em casamento. O anjo Gabriel lhe explicou que sua gestação se daria de maneira sobrenatural, onde o próprio Espírito Santo se encarregaria de providenciar o milagre (Lc 1.28-35).
Fé: A resposta certa ao plano de Deus
Por mais incrível que possa parecer, Maria não pediu mais detalhes ao anjo sobre o extraordinário plano de Deus. Ao saber que o próprio Espírito de Deus faria o impossível e daria início ao plano, Maria apenas reafirmou a sua adoração e disposição total de servir ao Senhor (Lc 1.38).
Agora vamos refletir: será que para nós apenas essa explicação seria suficiente? Talvez alguns de nós sob situação semelhante teríamos no mínimo dez perguntas para o mensageiro de Deus. Maria não se preocupa em saber os detalhes sobre como explicar para os seus pais; sobre a maneira de criar o menino; ela não pergunta o que deve falar ao seu noivo; também não questiona a respeito de uma providência sobrenatural para a criação do que havia de nascer. A resposta de Maria vai muito além de ‘sim’, ela respondeu com a fé e nenhuma resposta é melhor do que essa quando o assunto são o chamado e propósitos divinos.
Roteiro desconhecido
Geralmente dizemos ‘sim’ou ‘não’ quando entendemos claramente determinada pergunta ou proposta feita a nós. E é por isso que a fé é a melhor resposta ao plano de Deus! Porque essa resposta nos faz caminhar mesmo quando não compreendemos ou concordamos com algo.
Se fosse você a escolher, como descreveria um cenário ideal para o nascimento do Filho de Deus?
Talvez já começaríamos por um lugar diferente, uma capital renomada ou, quem sabe, a potência econômica e militar da época. Os pais seriam os mais capacitados e prósperos possíveis para proporcionar o melhor ao pequeno Messias, membros da realeza de preferência. Os responsáveis terrenos pelo Filho de Deus viveriam um momento de paz e tranquilidade para chegada de tamanha bênção dos céus.
Os pais do Messias habitavam na humilde Nazaré, e não chegaram nem perto de serem considerados nobres. O local do parto e da primeira noite do bebê mais especial que já existiu foi uma manjedoura improvisada, porque não havia lugar para receber o Salvador do mundo (Lc 1.7). E, após nascer, o itinerário do plano de Deus ainda previa uma apreensiva fuga noturna para o Egito, devido à ordem de Herodes de matar o menino (Mt 2.13-14).
Vale a pena!
Não encontramos no registro bíblico nenhum tipo de murmuração ou cobranças a Deus por parte da jovem Maria diante de uma jornada tão delicada como foi a que envolveu o nascimento de Jesus. Maria, mesmo jovem e sem muitas respostas, tinha plena convicção da promessa feita, por que conhecia aquele que havia prometido. A fé, como resposta, nos ajuda a não perder tempo procurando sentido, seguranças humanas, garantias terrenas, pois é nesse ambiente extraordinário que a fé opera (Hb 11.1).
Maria sabia que estava sendo uma ferramenta nas mãos do Senhor para cumprir algo maior, algo eterno. E ela tinha fé que valeria a pena suportar tudo o que viesse no processo para cumprir a sua missão.